Festival de três dias tem uma decisão comercial que aparece antes de qualquer outra: vender o evento inteiro, vender cada dia, ou os dois? A escolha parece de gosto, mas ela define o fluxo de caixa, o público que você atrai e o risco que assume.
O que cada modelo faz
Só passaporte. O comprador leva os três dias. O caixa entra antecipado e maior, e o público é o fã — que iria de qualquer jeito. O custo é excluir quem só pode ir no sábado, e esse grupo costuma ser maior do que se imagina.
Só por dia. Amplia bastante o alcance: cada dia compete por um público diferente, e alguém decide na quinta se vai no sábado. O custo é o caixa fragmentado, que chega tarde — e organizador de festival precisa de dinheiro antes, não depois.
Os dois. É o que a maioria dos festivais consolidados faz, com uma regra que precisa ser respeitada para não virar tiro no pé.
A regra do passaporte
Se o passaporte custar o mesmo que a soma dos três dias, ninguém compra passaporte — compra os dias que interessam. Ele precisa ser visivelmente mais barato: entre 20% e 30% abaixo da soma é a faixa que costuma funcionar.
Fazendo a conta: dias a R$ 120 cada somam R$ 360. Passaporte a R$ 270 dá 25% de desconto — vantagem clara, e você troca margem unitária por caixa antecipado e por um público que fica os três dias (o que importa para o patrocinador e para a operação de bar e alimentação).
Na Eventozen, isso se monta com os dias como tipos de inscrição e o passaporte como combo — pacote fechado com preço e estoque próprios. Você controla quantos passaportes vende sem que isso dependa da soma das vagas de cada dia.
Capacidade por dia, não só do evento
Aqui mora o erro que aparece na porta. Se o espaço comporta 2.000 pessoas por dia, isso não significa 6.000 ingressos.
Cada dia precisa da sua própria quantidade. E o passaporte consome vaga nos três — um passaporte vendido é uma pessoa a menos em cada dia. Se essa conta não estiver amarrada, você vende 2.000 ingressos de sábado mais 800 passaportes e recebe 2.800 pessoas num espaço de 2.000.
A capacidade máxima do evento é a trava de segurança geral: atingido o teto, a plataforma pausa a comercialização mesmo com vaga em algum lote. Mas ela é do evento inteiro — o controle por dia vem da quantidade de cada tipo de inscrição, e vale conferir a soma antes de abrir a venda.
Lotes: o que sobe é o passaporte
Em festival, a escada de lotes funciona melhor no passaporte do que nos dias avulsos. O motivo é o comportamento: quem compra passaporte decide cedo, e responde a preço; quem compra o dia avulso decide perto, muitas vezes pela atração anunciada.
Uma estrutura que costuma dar certo:
- Passaporte 1º lote — quantidade limitada, o melhor preço do festival, aberto antes mesmo do line-up completo
- Passaporte 2º lote — depois do anúncio das atrações principais
- Ingressos por dia — abertos mais tarde, com preço firme
O primeiro lote de passaporte vendido "às cegas" é o que financia a produção — e ele só funciona se o público confia na sua curadoria. Em primeira edição, ele é menor e mais barato.
A programação vende o dia
Ingresso por dia só vende se a pessoa souber o que acontece naquele dia. Um festival que anuncia só "três dias de música" força o comprador a escolher no escuro — e, no escuro, ele não compra.
A página precisa deixar claro o que tem em cada data, e o Calendário do evento registra os períodos com os horários reais de cada dia. Isso alimenta a página, o lembrete por e-mail e o ingresso do participante.
Quem vem em qual dia
Uma coisa que festival multi-dia sempre precisa e raramente planeja: saber quantas pessoas esperar por dia, para dimensionar equipe, segurança e alimentação.
Como cada dia é um tipo de inscrição e o passaporte é um combo, o relatório já entrega esse número — vendas por tipo. E no dia, o check-in mostra o comparecimento real, que em festival costuma ser bem diferente do vendido: sexta à noite tem mais ausência que sábado.
Guardar essa diferença entre vendido e presente, por dia, é o que permite dimensionar melhor na edição seguinte — em vez de repetir o superdimensionamento caro ou o subdimensionamento que gera fila.
O resumo
Festival de vários dias se estrutura com cada dia como um tipo de inscrição, o passaporte como combo com desconto real, e a atenção redobrada na capacidade — porque a soma dos dias com os passaportes é o que chega na porta.
O passaporte traz o caixa antecipado que a produção precisa; o ingresso avulso traz o público que não iria. Os dois juntos funcionam, desde que a diferença de preço torne a escolha óbvia para quem vai aos três dias.